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Lançado em 1967 e escrito por Guy Debord, publicação questiona o capitalismo e a espetacularização da sociedade. ‘Lê esse livro para você entender toda a parte política por trás disso’, disse a filha de Zezé di Camargo

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11 jan
2024
– 21h26

(atualizado em 12/1/2024 às 09h01)

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Quem não desligou a TV e foi ler um livro nesta quinta-feira, 11, pode ter se deparado com uma dica entusiasmada de leitura no meio do BBB.

A cantora Wanessa Camargo citou o livro A Sociedade do Espetáculo, do francês Guy Debord enquanto comentava sobre acesso à cultura com colegas do BBB 24. A filha de Zezé Di Camargo, que entrou para o programa como participante do Camarote, estava num papo sobre música com seus companheiros.

“Tem um livro, A Sociedade do Espetáculo. Lê esse livro para você entender toda a parte política por trás disso, tem um interesse genuíno de gente que tá no comando de não enriquecer a cultura de um povo, e sim de emburrecer”, falou a cantora, que fez sua carreira na música pop.

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A Sociedade do Espetáculo foi publicado na França em 1967, por Guy Debord. No ano seguinte ao seu lançamento, o livro tornou-se referência obrigatória nas barricadas do maio de 1968 francês. O livro trata, justamente sobre como a sociedade pode ser espetacularizada. Debord faz uma crítica sobre consumo, sociedade e capitalismo.

Em um texto escrito para o Estadão em 2008, o crítico Luiz Zanin Oricchio comenta que “a vida em si transformada em show da vida é a grande sacada de Debord, num tempo em que ainda isso não era tão evidente quanto hoje”.

Zanin chegou a citar o programa em que Wanessa está, o BBB, como uma amostra do que, provavelmente surpreenderia o autor. “O que diria ele neste tempo de câmeras por toda a parte, supersaturação de imagens, telas de celular, internet e Big Brother? Bem, talvez hoje fosse fácil demais afirmar que ‘O espetáculo não é (apenas) um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada pelas imagens'”.

“Mas em 1967 era uma sacada e tanto. Colocava o espetáculo não como manifestação acessória da vida contemporânea, mas como sua essência mesma. Essa mediação sem cessar através das imagens é o que separa o homem do homem. Tornou-se a figura contemporânea da alienação”, escreveu Zanin.

“Debord foi, talvez, o crítico mais inspirado da nossa era de conformismo – essa que, por paradoxo, começava naqueles anos de contestação. Também foi cineasta, se é que se pode usar essa palavra, que evoca uma profissão, para um outsider como ele. Morto em 1994 (suicidou-se), Debord tornou-se uma espécie de figura recalcada na vida intelectual contemporânea. Importante demais para ser esquecido; radical demais para ser constantemente lembrado”, também diz o texto, duas décadas antes de Wanessa Camargo se lembrar de Guy Debord no BBB.

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