Cena de Os Doces Bárbaros (Crédito: Reprodução)

Os filmes de concerto estão em alta atualmente, aquecidos por lançamentos milionários como Renascença: um filme de Beyoncé e O Tour das Eras | Versão de Tayloreste último entrando a partir de hoje (15/03) como um especial do Disney+.

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Mas os filmes de concerto não são novidade e podemos provar! Outro exemplar do gênero acaba de estrear na plataforma gratuita Itaú Cultural Play: Os Doces Bárbarosclique aqui para assistir de graça. Anteriormente disponível mediante assinatura no Globoplay e Prime Video, o longa de 1977 chega ao grande público e é um registro histórico da turnê que reuniu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa no ano anterior.

Além destes, é claro, há variados exemplos de filmes de concerto: Woodstock (1970); A última valsa (1978), que documenta o show de despedida da A banda; Parar de fazer sentidode Jonathan Demmeque está voltando com tudo em um relançamento da A24; e U2: chocalho e zumbido (1988), entre muitos outros.

Este, porém, é um dos melhores exemplos no cinema nacional. Em 1976, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia se reuniram como os Doces Bárbaros. Celebrando dez anos de suas carreiras, num período sombrio da história do país, o quarteto partiu em turnê por cidades brasileiras apresentando canções emblemáticas e libertadoras. De um ângulo privilegiado, o diretor Vamos Tob Azulay captou essa experiência arrebatadora.

Repleto de performances e cenas de bastidores, o filme capta um dos momentos mais efervescentes da Tropicália, em seu apelo político ao canto livre e ao prazer. Destaque para a fotografia granulada e colorida de Fernando Duarte.

Abaixo, você entende um pouco mais sobre a relevância de um filme de concerto e o valor histórico de Os Doces Bárbaros.

Os Doces Bárbaros: um registro para a posteridade

Capa do disco "Doces Bárbaros"Capa do disco "Doces Bárbaros"
Foto: Divulgação

O filme é muito mais do que um documentário sobre música. É uma imersão profunda em um marco da história da Música Popular Brasileira (MPB), trazendo à tona os momentos e as personalidades vibrantes que moldaram uma era musical icônica.

Para além da sua excelência musical, o filme é uma contagem crua da repressão no Brasil dos anos 70, revelando os trâmites policiais por trás da prisão de Gilberto Gil e que o levou à internação em uma clínica psiquiátrica. A turnê foi abruptamente paralisada em Florianópolis, mas não silenciada.

A direção de Jom Tob Azulay coloca o espectador no papel de um observador, sem qualquer interferência no meio. No lugar das tradicionais entrevistas de frente para a câmera, quase inexistentes ao longo de 1h40m, o cineasta observa as entrevistas alheias – de como a imprensa tentava encapsular a grandeza daquele momento e definir quem eram aqueles “Beatles brasileiros”.

Gil deixa bem claro que o grupo não tem a menor pretensão de ser os Beatles. Eles são, isso sim, anárquicos, livres em sua expressão. E onde isso fica mais claro é no palco, com múltiplos momentos musicais guiando a narrativa.

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Os Doces Bárbaros: um retrato do Brasil dos anos 70

A década de 1970 foi um período de efervescência cultural no Brasil, marcada por uma intensa criatividade e expressão artística, apesar da ditadura militar.

No filme, a existência de Gal e Bethânia, Caetano e Gil em cima do palco, com aquelas vestimentas, cantando daquela forma, foi nada menos que político.

O jornalismo cultural da época levantava rótulos como feminista, gay e religiosidade afro, na tentativa de traduzir um fenômeno completamente novo para a época: um supergrupo que emana de quatro personalidades fortes e destemidas, em perfeita sintonia.

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Visão privilegiada

Ao longo do filme, somos levados aos bastidores dos ensaios, às viagens pelo Brasil e às apresentações icônicas. Jom acompanhou de perto aquela cena efervescente, tinha intimidade para estar naqueles camarins todos. Tanto que o cineasta co-assina a direção de outro documentário que chamou atenção em 2023: Elis & Tom – Só Tinha de Ser com Você.

Mais do que apenas uma retrospectiva nostálgica, Os Doces Bárbaros lança um olhar crítico sobre o legado e o impacto cultural deste quarteto revolucionário. Ao explorar temas como identidade, política e liberdade artística sem qualquer narração panfletária, o filme nos convida a refletir sobre a relevância contínua da música e da arte como agentes de mudança social.

Continuidade

Não parou por aí. Os Doces Bárbarosde Jom Tob Azulay, sim. Mas os quatro amigos se reuniram em 2002 para dois shows ao ar livre, em São Paulo e no Rio de Janeiro, e tudo foi capturado pela câmera de Andrucha Waddington – outro diretor com forte sensibilidade musical.

O resultado foi o filme Outros (Doces) Bárbarostambém disponível gratuitamente no YouTube da gravadora Biscoito Fino.

Estas são duas preciosidades que atestam a genialidade da nossa música e a importância de manter vivas as obras que foram formativas na nossa cultura. E quanto mais acessíveis, melhor.

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