O Dândi Warhol David Bowie
The Dandy Warhols (Crédito: Jacob Pander) / David Bowie (Crédito: Tim Bret-Day)

A julgar pelo seu maior hit, “Éramos amigos”a banda americana Os Dândi Warhols tem um certo gosto para rememorar amizades passadas. Foi isso que o grupo fez em entrevista à NME para divulgar seu mais novo disco, Rockmakerao recordar sua relação com ninguém menos que David Bowie.

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Embora haja uma relativa diferença geracional – os Warhols estão na ativa desde 1994, enquanto Bowie começou mais de 30 anos antes -, os músicos contaram sobre a generosidade do camaleão inglês em compartilhar o palco e até seu estúdio com eles.

O relato dos Warhols comprova o que muita gente já sabe: David Bowie gostava de se aproximar de artistas mais jovens por ver neles parte da inventividade que ele mesmo passou a simbolizar.

Medo dos americanos? Que nada!

O vocalista dos Dandy Warhols, Courtney Taylor-Taylorrecordou um momento marcante em que ele e os companheiros de banda foram abordados por Bowie e sua equipe durante o Festival de Glastonbury de 2000. Embora inicialmente confusos sobre o motivo do encontro, ficaram surpresos ao descobrir que Bowie os admirava e apoiava.

Tudo começou com… bolhas de sabão. No dia 25 de junho daquele ano, Bowie se apresentou no palco Pyramid do festival, com uma chuva de hits para fechar o fim de semana. Naquela época com 25 anos, a tecladista Zia McCabedos Warhols, estava na coxia assistindo ao show literalmente borbulhando de felicidade.

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Ela soltava bolhinhas de sabão na direção dos artistas no palco e foi abordada por um membro da produção em um “piti”, que lhe disse, sem meias palavras, para parar com aquele comportamento infantil. “Que diabos você pensa que está fazendo? Isso está sendo transmitido ao vivo para milhões de pessoas!”, ela ouviu.

Cinco minutos depois, o mesmo sujeito voltou dizendo “Precisamos de mais bolhas! David amou as bolhas”. O caminho estava aberto.

Apenas por um dia?

Não foi apenas neste momento que as trajetórias de David Bowie e The Dandy Warhols se cruzaram.

A conexão entre eles se aprofundou ao longo dos anos, com colaborações significativas. Os Dandy Warhols acompanharam Bowie em sua turnê “Um passeio pela realidade” e foram convidados para se apresentar no Meltdown Festival, organizado pelo próprio Bowie.

A relação entre eles era marcada pela admiração mútua e por momentos divertidos. Taylor-Taylor descreveu Bowie como um “mago” e recordou a habilidade dele na sinuca.

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Depois da boemia urbana…

Após o álbum Treze Contos da Boêmia Urbanalançado às vésperas daquele Glastonbury de 2000, os Warhols estavam prontos para a próxima aventura: a macaquice.

Bem-vindo à Casa do Macaco foi um disco da banda americana em que surgem referências por todos os lados – desde a capa com a icônica banana, em uma alusão clara ao artista visual que inspirou o nome do grupo, até o título, copiado de um livro de Kurt Vonnegut.

A cereja do bolo foi uma parceria com o novo amigo na composição. “Cientista”também conhecida como “Eu sou um cientista”, é a faixa que Bowie escreveu com Taylor-Taylor, como parte de um disco mixado por Nick Rodesfazer Duran Durancontando ainda com participações de Nilo Rodgers (CHIQUE) e Evan Dando (Os Limões).

Pra completar, Bem-vindo à Casa do Macaco trouxe a icônica faixa “We Used To Be Friends”, que se tornaria a abertura da série Verônica Marte e passaria a fazer parte da trilha sonora da juventude no início dos anos 2000. Dizer que a reputação da banda estava subindo seria pouco.

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Tudo foi feito num lugar mágico, emprestado pelo roqueiro inglês. O estúdio de David Bowie e Filipe Vidro era um espaço emblemático para a cena musical de Nova York, e tornou-se um refúgio criativo para os Dandy Warhols. Bowie, generoso e acolhedor, permitia que a banda usasse o estúdio gratuitamente, proporcionando-lhes uma oportunidade única de explorar sua criatividade e gravar seu quarto álbum.

Esse gesto não apenas demonstrou o apoio de Bowie à banda, mas também revelou seu compromisso em nutrir novos talentos e proporcionar um ambiente propício para a expressão artística. A atmosfera única do estúdio, com suas paredes revestidas pelos discos de platina de Philip Glass e até mesmo o número de telefone do traficante de maconha dos Meninos Bestiaiscriava uma atmosfera inspiradora e descontraída, onde a música podia florescer sem limites.

Posteriormente, Bowie reconheceria o The Dandy Warhols como sua banda favorita – o que deve ser o mesmo que ganhar um prêmio muito prestigioso.

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Olhando para o futuro

Agora, os Dandy Warhols estão mais do que acostumados a colaborar com seus Heróis. Tanto que, no novo álbum Rockmakereles recebem ninguém menos que Debbie Harry (Loiro) em “Eu nunca vou parar de te amar”.

Outra participação especial é de Golpeartambém conhecido como o guitarrista do Ryan Gosling – na faixa “Gostaria de ajudá-lo com seu problema”mostrando que os Warhols não perdem a tradição de ter ótimos títulos para suas canções.

O novo disco já está disponível nas principais plataformas de música.

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