Em dezembro de 2023, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teve um rompante sincericida ao fazer elogios públicos a Lula durante entrevista concedida a um jornal do interior de São Paulo. O corte só veio à tona na primeira semana de janeiro. Mas foi o suficiente para gerar uma crise no PL. Mais uma. Não foi a primeira, nem será a última.

Eis o que Valdemar disse:

“Lula não tem comparação com Bolsonaro, completamente diferente. O Lula tem muito prestígio, não o carisma que Bolsonaro tem, mas tem popularidade, é conhecido por todos os brasileiros. O Bolsonaro, não, pois tem um mandato só.”

Depois, Valdemar ainda emendou: “O Lula foi bem no governo, até elegeu a Dilma depois”.

O óbvio

Valdemar disse o óbvio. Um óbvio ululante, diga-se. Mas foi o suficiente para que a ala ideológica do PL viesse às redes sociais criticar o presidente do PL, com receio de que Valdemar, do nada, virasse a casaca e pendurasse uma estrela vermelha no hall de entrada da sede do partido, no Setor Hoteleiro Sul, em Brasília.

Valdemar dificilmente fará isso. Ao menos não fará antes de 2026. Valdemar já entendeu que o PL, com a ala bolsonarista, tomou o lugar do PSDB como principal partido de oposição ao PT. Obviamente que Valdemar não vai reverberar os discursos dos deputados mais radicais. Como dirigente partidário, ele tem consciência de que precisa fazer acenos ao governo federal, até por sobrevivência da ala mais pragmática do partido – aquela que ainda depende de verbas, cargos e boquinhas na União. Sim, existem deputados do PL que não largaram as tetas do Estado.

Faz parte do jogo

Jair Bolsonaro também sabe disso. E faz a sua parte no jogo. Ao expor publicamente seu descontentamento, Bolsonaro faz uma sinalização ao seu público, ao seu eleitor, de que não aceitará elogios ao seu antagonista. Mas, nos bastidores, tudo foi resolvido com uma boa ligação de Valdemar para Bolsonaro. Uma explicação, alguns gracejos, palavrões, piadas do tiozão do zap e pronto: situação contornada.

Valdemar precisa de Bolsonaro para manter o PL vivo. E Bolsonaro precisa do PL para ter uma estrutura parruda para se manter no jogo político. Valdemar ressurgiu das cinzas graças a Bolsonaro e quem implodiu outros partidos foi o próprio Bolsonaro, não Valdemar. Os dois têm plena consciência disso e sabem que, neste momento, dependem um do outro para sobreviver.

É da vida.

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