No dia 13 de setembro, um grupo de arqueólogos liderados por Espen Finstad realizaram uma descoberta bastante animante – do ponto de vista da arqueologia. Uma flecha da idade do bronze, com cerca de 3,6 mil anos de idade, foi encontrada emergindo do gelo que estava derretendo em perfeito estado. A ponta da flecha era feita com uma pérola de mexilhão-de-água-doce.

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A descoberta foi realizada pela equipe de arqueólogos nas montanhas de Jotunheimen, no condado de Innlandet, na Noruega. Eles encontraram a flecha enquanto faziam uma caminhada durante o monitoramento de rotina que a equipe realiza aos finais de temporada de atividades de campo.

Nos últimos anos, já foram descobertas oito flechas semelhantes por causa do gelo derretido.

“As geleiras e manchas de gelo estão recuando e liberando artefatos que foram congelados no tempo pelo gelo”, disse ao Hyperallergic o pesquisador Lars Holger Pilø, codiretor do programa de arqueologia que realizou a descoberta – o Secrets of the Ice (Segredos do Gelo, na tradução para o português).

O programa Secrets of the Ice é uma iniciativa que nasceu em 2011 a partir de uma colaboração entre instituições de ensino e pesquisa científica – o Departamento de Patrimônio Cultural do Condado de Innlandet e o Museu de História Cultural da Universidade de Oslo.

Entretanto, antes mesmo do início do programa, essas descobertas da arqueologia glacial já estavam ocorrendo. Um grande derretimento nas montanhas Jotunheimen em 2006, por exemplo, revelou alguns objetos que foram coletados por cientistas.

“Agora os artefatos estão expostos e se deteriorando rapidamente, então estamos em uma corrida contra o tempo para encontrar e resgatar os artefatos”, disse Pilø ao Hyperallergic.

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“As flechas com pontas de concha só se tornaram conhecidas na Europa quando começaram a derreter do gelo na Noruega”, diz Pilø.

O pesquisador ainda relata ao portal, que esta é a flecha de concha mais bem preservada já encontrada pela equipe até o momento.

Imagem: Imagem: Secrets of the Ice.

Aquecimento global e o degelo

Os pesquisadores estão correndo para tentar coletar o máximo de objetos arqueológicos possíveis. Quando eles ficam à mostra, após o gelo derreter, eles ficam expostos ao tempo e se degradam rapidamente.

“Estamos meio que em uma corrida contra o tempo”, disse Pilø ao The New York Times. “Precisamos realmente trabalhar ainda mais para salvar o máximo possível desses artefatos.”

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Eles querem correr para coletar as descobertas antes que elas sumam com a decomposição, já que esses objetos estão surgindo rapidamente com o crescente derretimento de gelo.

“A maior parte do gelo aqui na Noruega vai desaparecer neste século”, explica Pilø ao portal Hyperallergic. “Pode-se dizer que estamos derretendo no tempo.”

O degelo é crescente e constante. A cada ano, menos gelo está presente sobre a superfície terrestre. Assim, muitos objetos surgem, abrindo caminho para a pesquisa arqueológica.

“As descobertas são incríveis, mas a razão pela qual estão derretendo é triste”, lamenta o pesquisador.

Como nem só de notícias boas vive o mundo, esse derretimento do gelo é preocupante. Além da perda do gelo, em que muitos locais faz um grande papel regulador do meio ambiente, nos solos congelados está escondida muita matéria orgânica. Quando o solo descongela, essa matéria orgânica pode ser novamente decomposta. Assim, grandes quantidades de gases de efeito estufa, como metano e outros gases com carbono em sua composição vão para atmosfera. E como você deve saber, esses gases possuem um efeito poderoso no planeta – eles elevam o efeito estufa e o aquecimento global fica cada dia maior.

“Será um mundo muito diferente”, diz. “Enquanto estamos em campo, tentamos deixar isso de lado e gostamos de resgatar o máximo que pudermos da história deste mundo em deformação”.

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