Os dinossauros são frequentemente retratados como os governantes supremos da Terra, dominando o planeta por mais de 150 milhões de anos. No entanto, essa narrativa dramática da história é fundamentalmente falha e imprecisa. Neste artigo, exploraremos alguns dos piores rumores e equívocos sobre a Era dos Dinossauros e esclareceremos o que realmente aconteceu durante esse período.

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Apesar de sua extinção há mais de 66 milhões de anos, os dinossauros continuam a capturar nossa imaginação e a inspirar admiração. Desde o imponente tiranossauro até o enorme braquiossauro, essas criaturas antigas ganharam vida em inúmeros filmes, livros e documentários. No entanto, a maneira como divulgamos a história dessas criaturas é muito falha, e é hora de esclarecer as coisas.

Dinossauros primitivos eram pequenos e despretensiosos

Os primeiros dinossauros que conhecemos eram pequenos e despretensiosos, não maiores do que um cachorro de porte médio. Essas criaturas magras e onívoras percorriam a Terra há cerca de 235 milhões de anos, durante a metade do Período Triássico.

Embora os antigos parentes dos crocodilos fossem muito mais abundantes e diversificados durante esse período, os primeiros grandes dinossauros herbívoros só evoluíram perto do final do Triássico, há cerca de 214 milhões de anos. Mesmo quando os primeiros dinossauros começaram a evoluir para as principais linhagens que se desenvolveriam durante o resto do Mesozoico, a maioria era pequena e rara em comparação com seus primos crocodilos.

Foi somente no final do Triássico que tudo mudou para os dinossauros. Erupções vulcânicas intensas no meio da Pangéia alteraram o clima global, fazendo com que o mundo oscilasse entre fases quentes e frias. Felizmente para os dinossauros, eles haviam desenvolvido metabolismos de sangue quente e revestimentos isolantes de penas, o que os deixou relativamente tranquilos durante a crise, enquanto muitas outras formas de répteis pereceram.

Se essa extinção em massa não tivesse ocorrido, talvez tivéssemos tido mais uma “Era dos Crocodilos” em vez da “Era dos Dinossauros” que conhecemos hoje. No entanto, como os dinossauros conseguiram se adaptar e prosperar durante esse período, eles acabaram se tornando algumas das maiores e mais ferozes criaturas que já caminharam sobre a Terra.

Dinossauro primitivo do período Jurássico. Imagem: Andrey Atuchin

Dinossauros nunca evoluíram para viver no mar

Apesar de seu tamanho e diversidade impressionantes, os dinossauros nunca evoluíram para viver suas vidas inteiras nos oceanos. Embora algumas espécies de dinossauros fossem capazes de nadar e deixar rastros de natação em águas rasas antigas, como o espinossauro, eles nunca se tornaram a forma dominante de vida nos oceanos. De fato, até mesmo os pinguins, que são dinossauros vivos, não desenvolveram a capacidade de permanecer no mar, como muitos mamíferos marinhos, e precisam retornar à terra para reprodução.

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Em vez disso, os oceanos eram governados por uma variedade de répteis marinhos, como os ictiossauros, os plesiossauros e os mosassauros. Esses répteis não-dinossauros prosperaram nos mares por milhões de anos, alimentando-se dos cefalópodes de casca espiralada, ainda mais abundantes, chamados amonitas.

Entretanto, os ecossistemas dos oceanos pré-históricos foram construídos sobre uma base de plâncton. Sem as algas em forma de disco chamadas cocólitos, o restante dos nadadores do Triássico, Jurássico e Cretáceo não teria se desenvolvido. São as pequenas e abundantes formas de vida que permitem que criaturas como os répteis marinhos prosperem — um lembrete adicional de que os animais que nos impressionam na terra ou no mar não existiriam sem vários organismos minúsculos que estabelecem as bases das redes alimentares.

É importante lembrar que o que podemos ver como dominância em qualquer ecossistema é, na verdade, uma consequência de muitos relacionamentos e interações que muitas vezes passam despercebidos. Embora os dinossauros fossem criaturas impressionantes, eles não eram a única forma de vida na Terra. Os mamíferos, por exemplo, floresceram durante e após a época dos dinossauros, com o mesonyx, semelhante a um lobo.

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Espinossauro. Apesar de ser um dinossauro que caçava na água, nunca evoluiu para viver no mar. Imagem: Davide Bonadonna

Mamíferos eram abundantes durante a Era dos Dinossauros

Durante anos, acreditou-se que os mamíferos eram criaturas pequenas e noturnas que corriam pelas sombras, evitando os dinossauros. No entanto, pesquisas recentes mostraram que os mamíferos e seus parentes realmente prosperaram durante toda a era mesozóica, ao lado dos dinossauros.

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Os paleontólogos descobriram uma variedade de mamíferos peludos que nadavam, cavavam, deslizavam entre as árvores e até caçavam e comiam pequenos dinossauros. Esses mamíferos antigos incluíam os primeiros primatas, que surgiram há aproximadamente 88 milhões de anos.

Embora todos os mamíferos mesozóicos descobertos até agora fossem pequenos, os pesquisadores agora entendem que as interações entre eles foram mais importantes para moldar sua evolução do que a presença dos dinossauros. De fato, uma das maiores ameaças aos mamíferos não eram os dinossauros, mas os próprios mamíferos.

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Um grupo de mamíferos pode ter sido o responsável, ao invés dos dinossauros, por limitar a evolução de placentários e marsupiais. Imagem: Corbin Rainbolt

Nenhuma espécie pode dominar um planeta

A ideia de que os dinossauros eram os governantes supremos do planeta é um equívoco. Os dinossauros não eram uma única espécie, mas sim um grupo diversificado de organismos que viveram em todas as principais massas de terra por mais de 150 milhões de anos. Eles não eram as únicas criaturas do planeta e dependiam de outros organismos para sobreviver.

Por exemplo, os gigantescos dinossauros herbívoros tinham que comer uma variedade de plantas, incluindo ginkgo e coníferas, que exigiam bactérias especializadas em seus intestinos para a digestão. O grande tiranossauro era um ecossistema por si só, atacando herbívoros que se alimentavam de plantas que promoviam relações com fungos e microorganismos no solo.

A história da vida não pode ser dividida em vencedores e perdedores com base na dominância. Em vez disso, ela é uma complexa rede de conexões e comunidades que permite que diversas criaturas prosperem. Nenhuma espécie pode dominar um planeta, e mesmo os organismos mais duradouros e difundidos dependem de outros.

Essa lição não se limita aos dinossauros do passado. É um lembrete da importância da biodiversidade e da interdependência de todos os seres vivos.

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