Até o momento, cientistas só haviam identificado o fenômeno conhecido como ‘Círculos de fadas’ na Namíbia e na Austrália Ocidental. Os ‘círculos de fadas’, como são chamados, são fenômenos com um desenho bastante claro. Uma depressão no centro dos círculos e uma circunferência feita com um relevo em areia caracterizam o fenômeno cuja ocorrência aumentou agressivamente com um mapeamento global recém realizado.

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De origem ainda incompreendida, os círculos intrigam pesquisadores há algumas décadas. Algumas hipóteses são a atuação da água, cupins ou algum outro fenômeno. Mas a sua origem ainda é incompreendida pelos cientistas.

Utilizando imagens de satélites, os pesquisadores localizaram os círculos de fadas em um total de 263 locais em 15 países pelo mundo. Um destaque para a aparição do fenômeno são as regiões arenosas secas, como desertos.

“Nosso estudo fornece evidências de que os círculos de fadas são muito mais comuns do que se pensava, o que nos permitiu, pela primeira vez, entender globalmente os fatores que afetam sua distribuição”, diz à Revista Cosmos Manuel Delgado Baquerizo, líder do BioFunLab do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC).

O pesquisador é coautor de um estudo que descreve a pesquisa via imagens de satélites. O artigo que descreve o estudo foi publicado no periódico PNAS (Anais da Academia Nacional de Ciências).

Buscando círculos de fadas

Com as imagens, os pesquisadores treinaram uma rede neural convolucional. Esse tipo de rede neural utiliza como inspiração a organização dos neurônios do córtex visual dos animais. Ela é muito utilizada na análise de imagens.

Com o treinamento, eles especializaram a rede neural em encontrar padrões semelhantes aos círculos de fadas. Foram utilizadas mais de 15 mil imagens de satélite, das quais metade mostravam o fenômeno, e outra metade não.

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Com um pequeno toque humano eliminando alguns falsos positivos das imagens finais, restaram 263 imagens em alta resolução de diversas regiões da África e centro-oeste da Ásia.

Círculos de fadas. Imagem: Audi Ekandjo.

Assim, diversos padrões foram ligados com a busca pelos fenômenos – como a presença deles em solos arenosos, pobres em nutrientes, solo alcalino, clima árido, quente, e chuvas bastante sazonais. Outro padrão percebido foi a presença de ninhos de cupins. Estes não estavam em todos os círculos de fadas, mas em vários.

“Este estudo levou em conta múltiplas variáveis até então não consideradas, como o albedo ou o estado dos aquíferos. Este é um fator particularmente relevante, uma vez que o uso maciço de água subterrânea em áreas áridas em todo o mundo, incluindo desertos, pode perturbar essas formações”, disse Jaime Martínez-Valderrama, coautor do estudo e pesquisador do CSIC.

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Segundo os resultados, os círculos de fadas também ajudam a estabilizar os ecossistemas em que surgem. Locais com a presença dos círculos de fadas tem maior resistência a eventos naturais como enchentes e secas.

“Esses resultados fornecem a primeira evidência empírica de maior estabilidade da produtividade do círculo de fadas, uma propriedade-chave dos ecossistemas que está relacionada à provisão estável de serviços ecossistêmicos, como a quantidade de forragem”, disse outro coautor, Fernando Maestre, pesquisador da Universidade de Alicante.

“Esperamos que esses dados inéditos sejam úteis para aqueles interessados em comparar o comportamento dinâmico desses padrões com outros presentes em áreas áridas ao redor do mundo”, diz o primeiro autor do estudo, Emilio Guirado, da Universidade de Alicante, na Espanha”.

Críticas ao modelo

Parte da comunidade científica apresentaram o que consideram falhas no modelo. O Dr. Stephan Getzin, da Dr. Stephan Getzin, disse ah CNN que os padrões descobertos pelos cientistas são insuficientes.

Entretanto, não há uma definição clara, ou única, sobre os círculos de fadas na comunidade acadêmica.

Fato é – ninguém sabe exatamente o que eles são. Há quem os atribua exclusivamente à atividade dos cupins. Agora, pesquisadores estão empenhados em entender como e porquê eles ocorrem.

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