Um estudo recente liderado por Ishana Shukla, ecologista comunitária da Universidade de Victoria e da Raincoast Conservation, lançou uma nova luz sobre o conceito de “espécies-chave”. Essas são criaturas que desempenham um papel fundamental na formação de seus ambientes, com sua presença ou ausência causando efeitos de ondulação significativos no ecossistema.

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A pesquisa, publicada na Ecologia e Evoluçãoidentificou 230 dessas espécies, muitas das quais não estão no topo da cadeia alimentar. “Elimine todos os roedores e suas plantações poderão ter um crescimento ruim”, alerta Shukla.

Shukla e sua equipe realizaram uma análise sistemática da literatura científica, revisando 1.800 artigos para compilar sua lista de espécies-chave. A lista inclui não apenas os grandes carnívoros esperados, como lobos e tubarões, mas também um conjunto diversificado de criaturas, incluindo esquilos, morcegos, ratos, peixes e borboletas.

Cinco grupos de espécies-chave

A equipe categorizou as 230 espécies em cinco grupos com base em sua classificação biológica, tamanho do corpo, posição na cadeia alimentar e função no ecossistema. O primeiro grupo incluía consumidores vertebrados de grande porte, como lobos e tubarões. O segundo grupo incluía invertebrados, como mexilhões e borboletas, que influenciam seus ecossistemas de forma menos direta.

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“Por exemplo, quando as borboletas do repolho depositam seus ovos nas plantas, isso muda a forma como as plantas crescem e quais outros animais as comerão”, explica Shukla.

O estudo revelou que roedores podem ser heróis e não pragas.

O terceiro grupo foi dominado por peixes, enquanto o quarto e o quinto grupos continham “modificadores” – criaturas que afetam seus ecossistemas não por meio do consumo, mas por meio de outras atividades. A abelha melífera ocidental, por exemplo, aumenta a diversidade genética das plantas ao espalhar o pólen.

Roedores: heróis desconhecidos dos ecossistemas

O quinto grupo foi dominado por roedores, que desempenham um papel fundamental na estimulação dos ciclos de nutrientes do solo. Eles revolvem o solo ao se enterrarem, liberando carbono e nitrogênio e disponibilizando esses nutrientes para as raízes das plantas. Os roedores também ajudam a dispersar as sementes. Os esquilos, por exemplo, enterram as bolotas, permitindo o crescimento de novas árvores.

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“Infelizmente, muitos [roedores] são vistos como pragas agrícolas e, por isso, são atacados com pesticidas ou raticidas”, diz Shukla. “Mas eles são muito importantes para os ecossistemas.”

Um apelo para uma mudança nas práticas de conservação

Os pesquisadores ficaram surpresos com muitas das espécies que entraram na lista, o que os levou a pedir uma mudança nas práticas de conservação e na percepção do público. Shukla enfatiza a necessidade de apoiar não apenas os predadores alfas, mas também essas espécies-chave menores e menos visíveis.

“Precisamos realmente [apoiar] não apenas esses predadores alfas maravilhosamente carismáticos, mas também outros atores menores e enigmáticos sem os quais os ecossistemas sofreriam muito”, diz ela.

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