Após a dura recepção aos dados da inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de janeiro nos Estados Unidos, que geraram na terça-feira (13) a pior sessão para o índice Dow Jones desde março de 2023, os economistas e analistas apontam agora para um retorno à racionalidade. O diagnóstico é que deve começar a ser considerada com mais atenção a velocidade menor da desinflação dos serviços.

Mohamed A. El-Erian, economista a quem é atribuída a criação da expressão “novo normal” após a crise financeira de 2008-2009, escreveu em sua conta na rede X que os dados obrigam a uma maior atenção a importantes dinâmicas da inflação. “Particularmente à rigidez da inflação dos serviços, cuja desaceleração é necessária antes que a deflação de alguns bens perca força”.

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Ele argumenta que os mercados estavam abraçados a um pensamento crítico limitado e à narrativa de um pouso muito suave na economia americana que permitiria cortes iniciais consideráveis nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

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Mas o CPI anunciado, reforça o economista, serviu como um lembrete dos desafios da “última milha” na batalha contra a inflação e aponta ainda para questões analíticas complexas, como o nível da taxa neutra e a insensibilidade de certos setores da economia (como os serviços) a taxas de juro mais elevadas.

A análise da XP também é citada a preocupação contínua com os preços dos serviços, em especial. “O componente de serviços básicos registrou 0,7% mensais, sua variação mensal mais forte desde outubro de 2022”, destacou em relatório. E a variação em 12 meses recuperou de 5,3% para 5,4%, permanecendo bem acima da meta. Além disso, foi citado que a inflação da habitação (“shelter”), embora seja um indicador consideravelmente atrasado, está se revelando muito mais rígida do que o esperado pelo Fed.

Para a XP, a leitura reforça a mensagem de que a fase final do processo de desinflação está difícil, como o esperado. A avaliação é que isso elimina qualquer possibilidade de a Fed cortar as taxas em março.

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“Historicamente, o Fed espera em média oito meses desde a sua última subida até ao primeiro corte, o que é consistente com uma redução das taxas em maio”, conclui o relatório, completando que os riscos estão inclinados para cima.

“Se a inflação dos serviços não mostrar sinais mais convincentes de arrefecimento, é provável que o Fed adie o início da flexibilização monetária.”

​PCE

Ao incorporar os dados do CPI de ontem, o Morgan Stanley calcula que a inflação subjacente do índice de consumo (PCE), ficará em 0,29% em janeiro, ante 0,17%  em dezembro. Esse índice é o que o Federal Reserve acompanha com mais atenção para suas decisões de política monetária e será divulgado oficialmente em 29 de fevereiro.

“A aceleração no núcleo do PCE está alinhada com a nossa visão de um caminho acidentado pela frente. Acreditamos que as impressões sequenciais no 1º trimestre de 2024 serão, em geral, superiores às que vimos nos últimos 6 meses. Esta aceleração será um fator que atrasará a decisão de início de cortes nas taxas para junho deste ano”, comentou o banco de investimentos.

O ​JP Morgan também prevê que o núcleo da inflação do PCE ficará em 0,29% em janeiro, com esta medida ficando em 2,7% ao ano. Mas o banco ainda espera pela divulgação da inflação ao produtor (PPI) na sexta-feira para finalizar esses cálculos.

Paul Ashworth, economista da Capital Economics, pondera em relatório que o CPI básico já provou ser um mau preditor do PCE nos últimos meses e essa tendência continuou em janeiro. “A habitação tem um peso muito menor no núcleo do PCE do que no núcleo do CPI. A medida PCE baseia-se numa definição muito mais ampla de serviços de cuidados de saúde, que é dominada, não pelas despesas do próprio bolso das famílias, mas por despesas indiretas feitas pelas seguradoras privadas e pelo Medicare/Medicaid, explica.

Fonte: InfoMoney

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